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 Dólar fecha em alta com investidores de olho no cenário eleitoral

O dólar fechou em alta nesta quarta-feira (10), corrigindo parte da forte queda acumulada em outubro, com investidores repercutindo declarações do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) sobre a reforma da Previdência e à espera da pesquisa Datafolha de intenção de votos para o segundo turno da eleição presidencial, a primeira após o 1º turno.

A moeda norte-americana subiu 1,42%, vendida a R$ 3,7617. Na máxima do dia, chegou a R$ 3,7658. O dólar turismo era negociado a R$ 3,92, sem considerar a cobrança de IOF (tributo). Veja mais cotações.

O cenário eleitoral também levou o principal índice da bolsa brasileira, a B3, a fechar em forte queda nesta quarta. O Ibovespa caiu 2,80%, a 83.679 pontos.

Na véspera, a moeda norte-americana caiu 1,51%, vendida a R$ 3,7090. Foi o menor valor desde o dia 3 de agosto, quando o dólar encerrou o dia a R$ 3,7069.

Na semana, a moeda dos EUA cedeu 2,41%. No mês de outubro, a desvalorização é de 6,84. Já no acumulado do ano, ainda avança 13,53%.

O Banco Central ofertou e vendeu integralmente nesta sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 3,080 bilhões do total de US$ 8,027 bilhões que vence em novembro.

Cenário eleitoral

Segundo a agência Reuters, contribuíram para o movimento de correção desta quarta declarações de Bolsonaro sobre a reforma da Previdência, afirmando que a atual proposta do presidente Michel Temer dificilmente será aprovada.

Em entrevista à TV Band na noite da véspera, Bolsonaro falou sobre a proposta de sua campanha para a Previdência e sinalizou que deseja uma versão própria para a reforma. “Serviço público, homem, se aposenta com 60 anos de idade. Vamos botar 61. Você aprova. Se quiser já botar 65, nem que seja mais na frente, você não vai aprovar”, disse.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), apontado como futuro ministro da Casa Civil em um eventual governo Bolsonaro, disse ao blog da Andréa Sadi que a campanha tem de duas a três propostas de reforma da Previdência em discussão, em estudo. E que a proposta do governo Temer foi "enterrada" no dia em que Henrique Meirelles e Eliseu Padilha disseram a parlamentares que a proposta em questão era para cinco anos.

O economista Silvio Campos Neto, da Tendências, afirmou ao Valor Online que as declarações de Bolsonaro sobre a reforma da Previdência geram algum ruído no mercado, servindo de pretexto para o mercado corrigir parte da alta dos últimos dias.

No entanto, não dá para se tomar “a ferro e fogo” os comentários dos políticos nesta etapa da disputa eleitoral. “São declarações que não trazem muitos detalhes e servem para agradar o público”, diz o especialista ao Valor. “O mercado deve relevar os comentários, porque estamos em plena campanha e ninguém fala de forma clara sobre temas delicados”.

Sob a influência do noticiário eleitoral, o mercado esperava ainda a divulgação, às 19h, de pesquisa Datafolha, a primeira após o primeiro turno da eleição presidencial.

No exterior, o dólar também subiu ante as divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e o peso mexicano. Ante a cesta de moedas, o dólar tinha leve queda, destaca a Reuters.


Ajustes nas perspectivas

Desde agosto, a moeda norte-americana vinha se mantendo acima de R$ 4, em meio a incertezas sobre o cenário eleitoral e também ao cenário externo mais turbulento, o que fez aumentar a procura por proteção em dólar.

A expectativa de que a cautela iria predominar nos mercados foi substituída por ajuste de posições nos últimos pregões, em meio ao resultado das últimas pesquisas eleitorais antes do 1º turno.

O mercado prefere candidatos com viés mais reformista e entende que aqueles com viés mais à esquerda não se enquadram nesse perfil. E, diante do resultado do 1º turno, o mercado entende que o país poderá ser governado por alguém com o perfil adequado à sua preferência.

A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 permaneceu em R$ 3,89 por dólar, segundo previsão de analistas de instituições financeiras divulgada por meio de boletim de mercado pelo Banco Central nesta semana. Para o fechamento de 2019, ficou estável em R$ 3,83 por dólar.

Escalada do real

No acumulado de outubro, o real brasileiro tem um dos melhores desempenhos entre as principais moedas globais.

A valorização é superior a 7,5%, na contramão de outros emergentes que amarguram as cinco piores perdas no período (peso colombiano, peso chileno, rand sul-africano, won sul-coreano e peso mexicano).

Um índice do Deutsche Bank, que mede o desempenho das moedas de economias em desenvolvimento, tem queda de 1,08% no mês até a véspera.
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